AtualAnteriores → Edição nº 100

INFORM@TIVO

 

HOMENAGEM

 

Uma trajetória de vida em prol da Qualidade da Saúde no Brasil

Luiz Plínio Moraes de Toledo

Consternação e reconhecimento! Esses foram os sentimentos demonstrados pelo setor de Saúde brasileiro no último dia 30 de junho, com a notícia do falecimento do Dr. Luiz Plínio Moraes de Toledo.

Nesta edição do Informativo Eletrônico, a AHESP quer deixar registrada uma singela homenagem ao seu ex-presidente e atual membro da Diretoria Executiva:

A postura segura e o olhar firme, certamente, eram resultados de quem, como médico e administrador, dedicou a vida à complexidade do ser humano, com uma visão de futuro incomum e uma persistência inabalável, sem perder a humildade.

Racional ou idealista? Na realidade, um dos raros casos em que as características de cada uma dessas personalidades se mesclavam! Ao mesmo tempo em que sonhava com novas ideias, quebrava a cabeça e arregaçava as mangas para fazê-las acontecer.

E com que facilidade “arrebanhava” pessoas para suas causas! Também, abençoado com o dom da oratória, era comum fazer com que seus interlocutores, em qualquer assunto, se sentissem ouvindo um mestre. Talvez, tudo isso justificasse o fato de se sentir – ou pelo menos parecer – tão à vontade em qualquer ambiente, independente da faixa etária, nível social ou cultural de quem lá estivesse.

Esses são apenas alguns traços, por certo os mais marcantes, de Luiz Plínio Moraes de Toledo, brasileiro nascido em Piracicaba, interior de São Paulo, médico ortopedista, um pioneiro na disseminação de metodologias de Gestão de Qualidade em Saúde.

Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e com especialização em Administração Hospitalar pelo Instituto de Pesquisas Hospitalares (IPH) e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), sua trajetória ultrapassou os muros dos consultórios e hospitais para contribuir, de forma consistente, na busca por melhorias em saúde, através de entidades representativas.

Trajetória

Na medicina, além de Médico do Trabalho registrado no Ministério desde a década de 70, atuou no Hospital Monumento, no Pronto Socorro do Hospital Municipal do Tatuapé e na Coordenadoria de Acidentes de Trabalho do INPS.

Em 1971, uniu-se a um grupo de médicos para, no ano seguinte, adquirir um pronto socorro em São Bernardo do Campo e transformá-lo no Hospital e Maternidade Assunção, onde foi Diretor Presidente até 2010, quando optaram pela venda.

Desde 1986, era Diretor da AHESP, na qual foi presidente por dois mandatos, presidindo também sua Regional no ABC. Na entidade nacional, Federação Brasileira de Hospitais, foi Secretário Geral por vários mandatos e era, atualmente, um dos Vice-Presidentes. Era quem representava a FBH junto à Organização Panamericana de Saúde (OPAS), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e na Câmara de Saúde Suplementar da ANS.

Presidia a Organização Nacional de Acreditação, ONA, desde sua fundação, ajudando a difundir a cultura de segurança do paciente entre as instituições públicas e privadas. Afinal, foi pioneiro na luta pela qualidade da saúde no Brasil, esteve à frente das discussões do primeiro manual de acreditação elaborado no país, que resultaram no Manual Brasileiro de Acreditação Hospitalar, lançado em 1998, que foi a base para o desenvolvimento da primeira certificação brasileira de qualidade em saúde testada e difundida por todo Brasil e, hoje, reconhecida internacionalmente.

À família do Dr. Plínio, nossa solidariedade neste momento de dor, nosso reconhecimento pelo grande homem, amigo e profissional, além dos agradecimentos de setor Saúde brasileiro!

 


EVENTO AHESP

 

A importância da Libras para os profissionais de Saúde

Com a experiência de quem já está inserindo a Libras em alguns estabelecimentos de saúde, a pedagoga e fonoaudióloga Thaís Freitas Santos, que atua há mais de 20 anos na área de deficiência auditiva, compartilhou experiências e conhecimentos com os participantes da palestra gratuita promovida pela AHESP, no dia 18 de junho.

Thaís Freitas Santos

A palestrante iniciou sua apresentação lembrando o real significado da inclusão: “processo pelo qual todos os seres humanos são reconhecidos como livres e com direito à cidadania e oportunidades iguais para conquistar sua autonomia e exercer seus direitos e deveres plenamente, sendo, portanto, diferente de integração”.

Thaís informou que, no Brasil, 24% da população possui algum tipo de deficiência, ou seja, 45,6 milhões de pessoas, sendo que algumas apresentam mais de um tipo. A deficiência auditiva acomete cerca de 10 milhões de brasileiros e algumas das principais dificuldades enfrentadas pelos surdos foram relatadas pela profissional, com especial ênfase para o ambiente de trabalho e, também, com o atendimento recebido em situações críticas, como quando procuram hospitais e outros estabelecimentos de saúde.

Além de abordar a Lei das Cotas e outros Decretos referentes ao tema, ressaltou a importância da Lei Brasileira da Inclusão que, segundo ela, muda completamente o paradigma da inclusão. Quanto ao substitutivo aprovado pelo Senado no último dia 10 de junho, que teve como relator Romário, do PSB-RJ, destacou: “Agora, é a sociedade que deve se adaptar para receber as pessoas e não mais as pessoas com deficiência que precisam se adaptar à sociedade”.

Na verdade, Thaís estava se referindo a uma série de garantias e direitos estabelecidos pelo texto aprovado, que classifica como pessoa com deficiência aquela que tem impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, que podem obstruir a sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.

Outras inovações do texto são a criação do auxílio-inclusão, a ser pago às pessoas com deficiência moderada ou grave, que entrarem no mercado de trabalho; a definição de pena de reclusão de um a três anos para quem discriminar pessoas com deficiências e reserva de 10% de vagas às pessoas com deficiência nos processos seletivos de curso de ensino superior.

Quero muito agradecer a presença de todos neste encontro hoje e reafirmar a grande importância de sensibilizar profissionais de saúde para as necessidades das pessoas com deficiência (PcD). Por isso, para plantar uma sementinha em cada um de vocês, trouxe uma convidada especial, que é mãe de uma deficiente auditiva com várias passagens por hospitais e unidades de saúde, para dar um depoimento das dificuldades encontradas que passam desapercebidas por quem está do outro lado, no atendimento e, na maioria das vezes, não faz a menor ideia de como agir.

Depois do relato da convidada, Thaís Freitas Santos finalizou, informando que os interessados por cursos e treinamentos especializados em Língua Brasileira de Sinais, Libras, devem entrar em contato com a AHESP para obter todas as informações.



ARTIGO

 

Modelos de Remuneração – Expectativas Renovadas?

Afonso José Matos

Muito se tem falado sobre os modelos de remuneração aplicados na relação entre operadoras de planos de saúde e os provedores de serviços e de saúde. No entanto, poucos têm sido os avanços efetivos e, ainda o que predomina é o tradicional “fee-for-service – conta aberta”. Também nenhuma novidade: trata-se de um modelo que todos veem muitos problemas, porém com grande dificuldade de ser substituído por mecanismos mais atualizados e que sejam capazes de premiar os padrões de conduta médica, a gestão dos custos e a previsibilidade das despesas assistenciais.

Por que “expectativas renovadas”? Ao acompanhar algumas manifestações recentes dos Drs. Mauricio Ceschin e José Carlos de Souza Abrahão, os quais demonstram enfaticamente a necessidade de movimentos, que venham definitivamente promover o aperfeiçoamento dos mecanismos de pagamento - vindo deles soa como um inestimável alento para acreditarmos que o tema ainda deve estar presente na nossa agenda.

Vejam as palavras do Dr. Ceschin (Folha de São Paulo, 19.03.15), no atual mecanismo de remuneração “não há alinhamento com o propósito do sistema, que deveria ser o de alcançar o melhor desfecho clínico com a melhor equação custo-qualidade-efetividade e incentiva o desperdício em um setor que tem uma carência crônica de recursos”. E para completar, Dr. Abrahão, agora na qualidade de Presidente da ANS, nos transmite a seguinte mensagem: “temos que rediscutir o modelo de remuneração entre operadoras e prestadores, precisamos reduzir o custo setorial e a imprevisibilidade”.

Certamente há muito o que percorrer, mas estímulos dessa magnitude nos fazem acreditar que ainda temos chances de construção de um modelo de remuneração mais consistente e saudável para a cadeia produtiva da saúde.

Afonso José Matos
Diretor Presidente da Planisa

 

NOVA PROGRAMAÇÃO

 

AHESP inova nos temas da grade de eventos para o 2º semestre

Com o objetivo de atender as demandas dos hospitais de diferentes portes do Estado de São Paulo e proporcionar oportunidades de constante atualização a seus profissionais, a Associação está com uma grade diferenciada de temas para eventos programados para o segundo semestre.

Durante o mês de agosto, o Prof. Ms. Marcelo Gomes de Carvalho, que é enfermeiro com passagem por renomados hospitais, com ênfase nas áreas de Pronto Socorro, UTI e Transporte Aeromédico, estará ministrando três diferentes cursos:

•     Ventilação Mecânica para Enfermagem, no dia 6, das 8 às 17 horas;

•     Toxicologia em Emergência, no dia 20, das 8 às 12 horas e

•     Introdução à Sepse Grave e Choque Séptico, no dia 27, das 8 às 17 horas.

O advogado e administrador hospitalar Dr. Edison Ferreira da Silva, que também é graduado em Saúde Ambiental, Gestão de Resíduos de Serviços de Saúde e Tecnologias Ambientais, será o instrutor dos cursos agendados para os meses de setembro e outubro:

•    Dispositivos de Segurança – Portaria nº 1748/2011, no dia 10/09, das 8 às 12 horas;

•    Repercussões Fiscais da NR 32, no dia 17/09, das 8 às 17 horas e

•    Capacitação para Porteiros e Controladores de Acesso em Serviços de Saúde, em 15/10, das 8 às 12 horas.

A I Jornada do Paciente Crítico do APH à UTI será realizada em Campinas, no dia 22 de outubro, das 8 às 17 horas e, em São Paulo, em 12 de novembro, com a mesma carga horária. Além da participação do Prof. Ms.  Marcelo Gomes de Carvalho e do Dr. Edison Ferreira da Silva, o evento terá como palestrantes também os enfermeiros especializados do Grupamento de Rádio Patrulha Águia SAMU de Santo André, Rogério Reginaldo Ribeiro, e do Corpo de Bombeiros de São Paulo e Grupamento de Rádio Patrulha Águia Praia Grande, Alfredo Silva.

Acompanhe as informações em nosso site – www.ahesp.com.br/eventos - programe-se e participe!

 

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