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INFORM@TIVO

 

CÓDIGO DE CONDUTA

 

Entidades assinam Carta de São Paulo durante Fórum Hospitais Compliance 2015

Na semana passada, São Paulo sediou pela segunda vez um dos mais importantes encontros sobre a sustentabilidade da saúde brasileira: o Fórum Hospitais Compliance. O evento é uma iniciativa da Revista Diagnóstico e foi realizado nos dias 5 e 6, no Hotel Intercontinental, reunindo cerca de 250 executivos, empresários e especialistas em compliance nacionais e internacionais.

Durante os dois dias, os maiores nomes do setor Saúde estiveram debatendo sobre o futuro desse mercado que representa 9% do PIB brasileiro, ou seja, cerca de R$ 396 bilhões. Um dos principais destaques internacionais do Fórum foi Don Sinko, líder de compliance da Cleveland Clinic, do estado de Ohio (EUA), considerado como o Hospital Mais Ético do Mundo, segundo a Ethisphere. Ele falou como é possível implementar uma cultura de compliance em qualquer instituição de saúde, seja de grande ou pequeno porte e mostrou resultados muito positivos das mais de mil investigações realizadas por sua instituição em 2014 e ressaltou: “É importante seguir à risca um código de ética e dar exemplo”.

A programação do primeiro dia foi finalizada com a solenidade de assinatura da Carta de São Paulo por entidades representativas de hospitais, clínicas de diagnóstico por imagem, operadoras e seguradoras, que se comprometeram a adotar seus próprios Códigos de Conduta até janeiro de 2018. Além do presidente da ANAHP, Francisco Balestrin, que comandou a cerimônia, assinaram o compromisso oficial Eduardo de Oliveira, presidente da AHESP, que representou a FBH; Fernando Boigues, presidente do SindhRio; Claudia Cohn, presidente da Abramed; Brenno Monteiro, presidente da Fenaess e Edson Rogatti, presidente da CMB.

Em nome das entidades, seus líderes assumiram o compromisso de dar o exemplo e criar uma cultura de compliance no setor. Agora, a tarefa de cada um é reunir seus membros, passar a mensagem e implementar um código de conduta ética e moral que sirva de balizador nas relações dos seus associados com os diversos stakeholders, até janeiro de 2018.

Você precisa se comportar como um cidadão que está vestido de branco atravessando um pântano. As instituições têm um papel fundamental. Somos dirigentes e temos que assumir as responsabilidades. Nós, homens e mulheres que representamos as instituições, temos que lutar para mudar o país”, afirmou Balestrin.

O Fórum Hospitais Compliance também marcou o lançamento oficial do Prêmio Ethics, que vai eleger os hospitais, laboratórios e operadoras que são referência em compliance, laureando também as ações do governo que contribuam para a transparência nas compras públicas e na gestão dos recursos investidos na saúde.

 


É NOTÍCIA – SETOR

 

ANS discute Regulação Assistencial no país

No último dia 10 de novembro, o presidente da AHESP, Dr. Eduardo de Oliveira, participou do Seminário sobre Regulação Assistencial na Saúde Suplementar realizado pela ANS, no Rio de Janeiro. No encontro, foram discutidos modelos assistenciais, gestão do cuidado, organização de redes de atenção e avaliação de tecnologia, além da apresentação do novo Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde 2016 e dos lançamentos do inquérito Vigitel 2014 e de um aplicativo que facilita a pesquisa de dados sobre cobertura assistencial.

O evento foi aberto pelo diretor-presidente da Agência, Dr. José Carlos de Souza Abrahão, que destacou a importância da realização de atividades que permitam estreitar relacionamentos e a troca de experiências para viabilizar alternativas de crescimento e desenvolvimento do setor diante de uma sociedade cada vez mais engajada e empoderada de seus direitos.  “Temos procurado induzir sempre a discussão e o aperfeiçoamento do acesso à saúde suplementar com qualidade, segurança e com sustentabilidade, não só econômica, mas também sustentabilidade assistencial”, afirmou.

Para a diretora-adjunta da Dipro, Dra. Flávia Tanaka, o seminário trouxe a oportunidade de discutir um modelo de atenção à saúde no país focado na atenção primária e no paciente, o que exige a reorganização das redes de atenção. “O objetivo é, através de seminários e ações, induzir, cada vez mais, a uma mudança de gestão do cuidado, além do comportamento dos atores envolvidos no setor de saúde suplementar, em busca de uma melhor assistência e atenção aos beneficiários”, afirmou.  

O seminário contou, ainda, com as participações de Márcia Pinto, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); de Marisa Santos, do Instituto de Cardiologia do Rio de Janeiro; e de Emílio Zilli e Miyuki Goto, da Associação Médica Brasileira (AMB); além de representantes de operadoras de planos de saúde, que contaram suas experiências em programas de promoção da saúde e prevenção das doenças. 

Para saber mais sobre o evento, acesse aqui.

Fonte: ANS

Inflação na Saúde sobe quase o dobro do IPCA

Luiz Augusto Carneiro, do IESS
Foto: Marcos Issa /Araofotos

Os custos das operadoras de planos de saúde com consultas, exames, terapias e internações, apurado pelo Índice de Variação de Custos Médico-Hospitalares (VCMH), do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), cresceram 15,4% nos 12 meses terminados em março. 

O aumento foi superior à variação da inflação geral no País, medida pelo IPCA, que registrou alta de 8,1% no mesmo período. Apesar da taxa elevada, o VCMH de março deste ano ficou abaixo do registrado no mesmo mês em 2014, quando apresentou o maior valor da série histórica, de 18,2%. “Apesar da desaceleração, o aumento do VCMH continua em um ritmo quase duas vezes superior ao do IPCA”, diz o superintendente-executivo do IESS, Luiz Augusto Carneiro. 

Segundo ele, o ritmo de elevação do indicador VCMH deve ser um fator de preocupação e reforça a necessidade de debater os fatores que potencializam a alta de custos da saúde suplementar no Brasil. “É preciso pensar em melhorias nesse setor, priorizando eficiência e o combate ao desperdício”, complementa. 

O superintendente-executivo do IESS destaca que o principal fator para a desaceleração no avanço do VCMH foi a retração de 3 pontos porcentuais em internações, que respondem por aproximadamente 58% da composição do índice. Isso significa que os custos com internações subiram 13,8% nos 12 meses encerrados em março de 2015 ante 16,8% no período anterior. 

O gasto com consultas, que corresponde a 11% da composição do índice, subiu 10,5%. Nos 12 meses encerrados em março de 2014, esse crescimento havia sido de 12,1%. Os custos de Exames e Terapias avançaram 14,6% e 20,6%, respectivamente, no período. 

O cálculo do VCMH/IESS utiliza os dados de um conjunto de planos individuais e considera a frequência de utilização pelos beneficiários e o preço dos procedimentos.

Fonte: IESS e DCI

Para ser sustentável, saúde precisa mudar modelo.

Cuidar da saúde, não da doença. A necessidade de uma mudança de paradigma é unanimidade entre os vários interlocutores da área da saúde – como hospitais, operadoras de convênios médicos e fornecedores de tecnologia aplicada à saúde – a fim de tornar esse setor sustentável diante dos aumentos expressivos dos custos nos últimos anos. Os caminhos que poderiam ser seguidos para essa mudança no modelo do setor foram temas de um debate organizado pelo Valor na noite do último dia 4, em São Paulo. 

Entre as sugestões apontadas estão a alteração no sistema de remuneração das operadoras de planos de saúde de acordo com a performance do procedimento médico e não por sinistro, o que acaba por incentivar os gastos; uso de tecnologia para uma melhor gestão das informações sobre os pacientes; mais atendimento primário, ou seja, com médicos generalistas; medicina baseada em evidências; além de maior integração no setor. 

"Precisamos resgatar as premissas da Organização Mundial da Saúde que consideram prioritário o cuidado de doenças crônicas como diabetes e hipertensão, que são capazes de reduzir consideravelmente os custos", disse Claudio Lottemberg, presidente do Hospital Albert Einstein. Lottemberg destacou ainda o uso exagerado da tecnologia no setor de saúde, que traz impactos expressivos nos custos. 

A Hapvida, grupo de saúde do Nordeste com 3 milhões de usuários de planos de saúde e uma ampla rede de clínicas e hospitais próprios, faz um forte trabalho de prevenção. "Nosso público é formado principalmente, por pessoas que usavam o SUS e agora tem um plano de saúde pela primeira vez. Nosso desafio é educar, levar informações de saúde", disse Henning Von Koss, vice-presidente da empresa, cuja rede própria é formada por 20 hospitais e mais de 200 clínicas. 

Carlos Eduardo Nogueira, diretor-geral da Intersystems, empresa americana de tecnologia aplicada ao setor, destacou a importância da tecnologia na gestão das informações do paciente, dos hospitais e operadoras de planos de saúde, entre outros prestadores de serviço. "Atualmente, apenas 23% dos hospitais privados do Brasil têm prontuário eletrônico e a maioria usa para informações de faturamento, e não de gestão do paciente" disse. A Intersystems tem como clientes operadoras, seguradoras e hospitais.

Fonte: Valor Online/ Beth Koike

 


É NOTÍCIA – FBH

 

Prêmio Synapsis reconhece trabalhos na área da Saúde

Na noite da última terça-feira, a Federação Brasileira de Hospitais premiou os cinco trabalhos selecionados pela comissão julgadora do Prêmio Synapsis, criado pela entidade para reconhecer divulgações que se destacaram na mídia e abordaram de maneira aprofundada questões da saúde, bem como ações voluntárias de organizações da sociedade civil.

Nesta primeira edição, o Prêmio foi dividido em cinco categorias: Impresso, TV, Rádio, Internet e Organização da Sociedade Civil. As quatro primeiras foram premiadas com R$ 10 mil e a última recebeu R$ 30 mil pelo trabalho realizado.

A cerimônia de premiação aconteceu em Brasília, no Centro de Eventos e Convenções Brasil 21, contando com as presenças do presidente da FBH, Dr. Luiz Aramicy Pinto; do secretário geral da entidade e também presidente da AHESP, Dr. Eduardo de Oliveira; do atual presidente da CNS, Renato Merolli, e também do eleito Dr. Tércio Egon; do diretor da HapVida, Claúdio de Simone; do presidente da CMB, Dr. Edson Rogati; do presidente da AHERJ e diretor da Federação, Dr. Mansur José Mansur e de Cristian Weissenborn, diretor da Gigacom.

Conheça os vencedores:

 


ARTIGO

 

O caso da Apple e a Saúde

Existe uma informação atual que chega a ser surpreendente: o lucro somado de todas as 321 empresas listadas na Bovespa foi de 11 bilhões de dólares, no segundo trimestre de 2015. Já a gigante americana de tecnologia, a Apple, lucrou 13,6 bilhões de dólares no mesmo período – quase 25% mais do que a elite empresarial brasileira inteira (Revista Exame, Edição 1097, ano 49, número 17 – 16/09/2015).

Em artigo recente, eu sugeri que os gestores de saúde deveriam superar a crise via o controle das variáveis controláveis e a busca de resultados através das oportunidades, da flexibilidade e da criatividade. Os gestores de saúde precisam saber que dirigem uma estrutura complexa de prestação de serviços aos seres humanos, mas que também precisam ter resultados financeiros positivos para sobreviverem. Muitas vezes, gestores escrevem belas listas de valores, visão, missão e outras lindas palavras, mas não conseguem incutir verdadeiramente uma filosofia de serviços de boa qualidade em médicos, funcionários e prestadores de serviços.

Muitos líderes estão mais preocupados apenas com os resultados financeiros de curtíssimo prazo, sem perceberem que estes aparecem naturalmente quando os objetivos que visem perpetuar uma boa assistência na instituição estão em um primeiro plano. Quando falamos em uma Apple, lembramos que foi uma empresa criada com objetivos claros de criatividade e inovação, com altos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, forjada a ferro quente por um líder pragmático, que perseverou na ideia de entregar os melhores produtos aos consumidores. Por que não nos inspiremos nisso para a área da saúde?

A verdade é que bons princípios incomodam muitos. Por exemplo, a Governança Corporativa incomoda alguns, pois ninguém quer compartilhar poder, ninguém quer ser transparente de verdade, ninguém quer prestar contas e muito menos quer entregar para a sociedade uma instituição sustentável. Os egos não permitem que hajam questionamentos sobre verdades irrefutáveis de donos, presidentes, sócios, nomeados ou outros que chegaram ao poder. Muitas vezes os interesses conflitantes estão falando muito mais alto, só que de maneira muito escondida. E a nossa razão de ser, o paciente, vai ficando em segundo lugar.

O que devemos, então, é fazer com que a clínica esteja cem por cento disponível ao que se propõe: servir. Se o médico está sendo pago por hora para atender, no plantão ou no ambulatório, então ele tem que atender a todos, a toda hora, incluindo as madrugadas de bom sono, filmes, livros ou celulares. Se os serviços de análises clínicas, imagem, hemoterapia e tantos outros de suporte ao diagnóstico e ao tratamento estão sendo contratados para atuarem 24 horas, em todos os dias do ano, os exames e procedimentos devem ser realizados o mais imediatamente possível, assim que chegar um pedido e jamais ser deixado para amanhã ou para segunda-feira. Se existem enfermeiros e técnicos locados dia e noite em unidades de internação ou de suporte clínico, estes devem atender todas as necessidades dos pacientes, sem questionar certos supostos direitos, quando o maior de todos o direito é o do paciente ser atendido quando for necessário. Embora essas coisas pareçam óbvias, sabemos que não são assim que ocorrem. Alguém tem que se indignar e ter coragem para mudar.

A atual conjuntura deve ser encarada como uma proposta de mudança, de atitude e de um marco para se começar a fazer diferente. Vamos pegar um exemplo na área administrativa, a TI – Tecnologia da Informação, que deve tratar da interoperabilidade na área de saúde. Existem vários sistemas ou tentativas de sistemas de integração de informações, como o PRC – Padronização de Registros Clínicos, o SCNS – Sistema Cartão Nacional de Saúde, o TISS – Troca de Informações para a Saúde Suplementar, o TUSS – Terminologia Unificada da Saúde Suplementar e muitos outros, que usam como base alguns sistemas já existentes como o CID – Classificação Internacional de Doenças, o SINASC – Sistema de Informações de Nascidos Vivos, o CIH – Central de Internação Hospitalar, a CBHPM... a Tabela AMB... o SIH, o SIA... e uma série de outras siglas que tentam se encontrar, mas estão sempre distantes por um motivo ou por outro. Somado a este emaranhado de letrinhas, internamente cada organização de saúde tem o seu SIG – Sistema de Informações Gerenciais, que tem como fonte de informações os seus ERPs, BIs e outros sistemas. Cheguei a ver um hospital que tinha dezenove sistemas. Todo este colchão de retalhos tenta conversar entre entidades muito diferentes: hospitais privados, públicos e filantrópicos, unidades básicas de saúde, laboratórios, serviços de imagem, homecares, cooperativas médicas, clinicas privadas, medicinas de grupo, seguradoras, entidades de classe, agências regulamentadoras, ministérios e secretarias de saúde, dentre outros players. Entretanto, nem sempre a prioridade é o paciente e a definição de processos e protocolos que melhorem a assistência. Sempre existem interesses corporativos e comerciais que não fazem com que os recursos da tecnologia da informação se voltem aos pacientes.

Como reunir informações para uma anamnese melhor a partir da história clínica do paciente? Como reunir informações clínicas do local onde o paciente está a partir de outros pontos de assistência que ele já passou? Como evitar a repetição de exames desnecessários? Como reunir informações capazes de se evitar cirurgias e procedimentos que poderiam ser evitados?

O custo social por uma assistência que não se utiliza bem de informações é absurdo e afeta áreas inimagináveis, como, por exemplo, a mobilidade urbana: quantas pessoas se deslocam nas cidades atrás de um pedido médico ou de um exame que terá 60% de resultados negativos e que talvez nunca será visto pelo médico? Ou, qual é o custo empresarial em repor horas e processos perdidos por funcionários afastados sem necessidade? Ou os dramas familiares, envolvendo várias camadas de parentes e amigos, com preocupações às vezes por uma doença inexistente?

Este exemplo, visando uma melhor interoperabilidade assistencial, mostra que devemos buscar resultados padrão Apple na área da saúde, mas isso não se constrói do dia para a noite: exige coragem, muitos esforços, visão de longo prazo e comprometimento com a vida, nossa maior razão de ser.

José Cleber Nascimento Costa
Diretor Técnico da ANS e sócio da Ricel Consultoria

 



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