AtualAnteriores → Edição nº 125

INFORM@TIVO

 

ELEIÇÕES 2016

As propostas para Saúde dos candidatos à Prefeitura de SP

Embora conte com o terceiro maior orçamento para Saúde do país (R$ 7,3 bilhões), ficando atrás apenas do próprio Ministério e da Secretaria Estadual, a capital paulista registra uma fila que ultrapassa 750 mil pessoas à espera de consulta, exame ou cirurgia. Além disso, 4,5 milhões de paulistanos dependem única e exclusivamente do SUS, ou seja, 40% da população da cidade.

A este cenário de números tão expressivos soma-se o fato de que a área é a mais mal avaliada da atual administração, de acordo com pesquisa Datafolha e, como tal, desperta atenção não só de eleitores, mas também dos principais veículos de comunicação, que têm divulgado e analisado as propostas dos candidatos à Prefeitura de São Paulo já registradas no TSE.

Especialistas ouvidos pelo jornal Folha de S. Paulo afirmam que os projetos são vagos, apontam uma série de lacunas nas propostas iniciais, mas lembram que os candidatos ainda poderão aprimorá-los para enfrentar os enormes problemas da saúde pública municipal. Eles citam como exemplo que nenhum dos cinco principais concorrentes apresenta metas sanitárias ou assistenciais para enfrentar os motivos pelos quais os paulistanos adoecem e morrem.

Para o professor Mario Scheffer, do departamento de Medicina Preventiva da USP, eles parecem ignorar as diferenças entre as regiões da cidade e não demonstram como irão acabar ou diminuir as filas. Já o conselheiro do Cremesp, João Ladislau Rosa, ressalta que a “marca” que cada prefeito quis deixar nos últimos anos colaborou para fragmentar o sistema e deixá-lo com múltiplos gestores. “Foi o PAS do Maluf, depois a AMA do Serra, a AMA Especialidade do Kassab, o Hora Certa e a UBS Integral do Haddad que serviram para mutilar as unidades básicas de saúde”, analisa.

 

Atenção Primária

Hospitais

Integração da Rede

Médicos

OSs

Celso Russomano

(PRB)

Concluir 22 UBSs, melhorar as atuais e ampliar Saúde da Família.

Concluir 3 hospitais e reativar o Sorocabana.

Integrar as atenções Básica, Especializada, Hospitalar e o SAMU.

Reformular a jornada de trabalho e ampliar o quadro de profissio-nais.

Fiscalizar os recursos empregados com transparência e efetividade.

Fernando Haddad

(PT)

Ampliar o acesso às UBSs e Saúde da Família; criar consultórios de rua.

Concluir plano de levar mais hospitais para periferia; reabrir Sorocabana.

Estruturar redes de cuidado com base nas regiões de Saúde.

Reestruturar plano de carreira e contratar mais médicos.

Reduzir progressivamente a dependência e terceirização da gestão para OSs.

João Dória

(PSDB)

Reformar e reequipar UBSs; preencher vagas existentes Saúde da Família; usar cartão SUS como acesso ao Prontuário Eletrônico.

Sem propostas

Criar redes de atendimentos regionais e integrar controle de vagas com o do Estado.

Contratar 800 médicos de imediato para suprir vagas abertas

Sem propostas

Luiza Erundina

(PSOL)

Sem propostas

Sem propostas

Descentralizar a gestão e fortalecer autonomia das subprefeituras.

Sem propostas

Encerrar contratos com entes privados na gestão de serviços públicos

Marta Suplicy

(PMDB)

Ampliar Saúde da Família; criar 3º turno e atendimento aos finais de semana.

Ampliar leitos através de reformas e construção de hospitais.

Integrar a gestão de atendimento básico, especializado e hospitalar.

Adotar programa de atratividade em parceria com universidades.

Criar a coordenadoria de fiscalização em saúde.

Não precisa nem mesmo ser analista ou especialista pra notar que todos falam em expandir a rede, contratar mais profissionais e criar novos serviços. No entanto, nenhum deles diz de onde virão os recursos que, ao que parece, serão menores nos próximos anos, considerando que a retomada da economia não virá tão cedo

Para finalizar, destacamos a análise do professor de Clínica Médica da USP Gustavo Gusso: “Não tem que reinventar a roda. Tem que melhorar a capacidade técnica dos gestores, estruturar as unidades de saúde, que são muito precárias, antigas, muitas estão cheias de goteira.

Leia as matérias na íntegra na Folha de S. Paulo e, também, em O Estado de S. Paulo.


QUALIFICAÇÃO HOSPITALAR

Hospitais com selo de qualidade receberão mais de Planos de Saúde

A Agência Nacional de Saúde Suplementar deve lançar, até o próximo mês de dezembro, a norma que vincula os reajustes pagos pelas operadoras de planos de saúde à qualidade do atendimento prestado por hospitais e laboratório.

De acordo com a diretora da Agência, Martha Oliveira, a ideia é que, a partir de janeiro, hospitais, clínicas e laboratórios acreditados possam ter o reajuste baseado no IPCA, enquanto os prestadores que não tiverem acreditação contarão com um índice menor, algo em torno de 90%, mas que ainda não foi definido.

Precisamos que as empresas se mexam e se mobilizem na direção de se qualificarem”, afirmou ela, destacando que ainda são poucos os hospitais e operadoras que têm acreditação e lembrando que, em alguns países, os hospitais só podem funcionar se forem acreditados, ou seja, se tiverem um selo de qualidade.

Vale lembrar que a relação entre operadoras e prestadores pode ser livremente acordada em contrato feito entre as partes. Desde o ano passado, entretanto, aqueles que não têm um acordo sobre os índices de reajustes já podem usar o IPCA, taxa fixada pela ANS.

A diretora informa que a agência reguladora quer que o consumidor escolha o plano de saúde baseado na qualidade dos serviços e que essa medida não influencie no valor final pago por ele. Por outro lado, diz que a autarquia ainda está discutindo como essas informações serão repassadas ao consumidor.

No ano que vem, 2017, serão os profissionais de consultório e clínicas de terapia que passarão a ter o selo de qualidade, mas os critérios para concessão desse qualificador ainda estão em discussão. Segundo Martha, as entidades de classe serão ouvidas para que médicos, dentistas, fisioterapeutas e outros profissionais também possam ter uma identificação de qualidade.


SAÚDE SUPLEMENTAR X SUS

Governo estuda mudar ressarcimento de Planos de Saúde ao SUS

Preparado pela Advocacia-Geral da União, o texto faz parte de um projeto de lei que propõe a reformulação do ressarcimento ao Sistema Único de Saúde, que é defendida pelo ministro Ricardo Barros e está em análise no Ministério da Saúde.

O documento propõe que as operadoras de planos de saúde façam o pagamento diretamente às instituições da rede pública que prestarem atendimento a seus beneficiários e, para tanto, a transação deverá ser feita mediante um contrato entre as partes, ou seja, entre operadoras e prestadores de serviços, como hospitais e clínicas públicas. Atualmente, o dinheiro vai para o caixa do Fundo Nacional de Saúde.

Segundo matéria do jornal O Estado de S. Paulo, que obteve o documento, a proposta atende ao pedido de secretários estaduais e municipais principalmente de locais mais populosos, como São Paulo. O argumento é de que, hoje, não há controle sobre como o reembolso é usado e, por isso, o dinheiro deve mesmo ser entregue para a instituição que gastou com o paciente.

Para o ministro, a mudança é justa e pode ajudar a trazer mais recursos para o SUS, reduzindo a briga judicial pelo ressarcimento. A ANS afirma não ter sido consultada e alguns especialistas do setor consideram a proposta uma ameaça à qualidade de atendimento tanto do usuário de planos de saúde quanto da população em geral.

Vale destacar que, além da mudança nas regras de ressarcimento, o governo segue estudando outra alteração na saúde suplementar: a criação de planos acessíveis, com cobertura menor e preços reduzidos.


EVENTO

SINDHOSFIL promoverá seu 1º Congresso de Gestão de RH, no próximo mês.

Com uma programação que contempla temas relevantes para os profissionais do setor da saúde e reunindo conceituados palestrantes, o 1º Congresso de Gestão de Recursos Humanos do SINDHOSFIL será realizado na cidade de São Pedro, no interior do Estado, entre os próximos dias 17 e 19 de outubro.

O evento representa uma grande oportunidade aos profissionais dispostos a trocar experiências que, com certeza, são fundamentais para o setor e proporcionará conteúdo de vital importância para o segmento sem fins lucrativos”, avalia o Dr. Edison Ferreira da Silva, presidente do Sindicato das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Filantrópicos do Estado de São Paulo.

A programação contempla temas como Perfil do Novo Gestor de Pessoas, Formação do Gestor de RH na Saúde, Negociações Coletivas e Relações Sindicais, Repercussões do eSocial, Absenteísmo: Implicações Econômicas e Produtivas, Qualidade de Vida nas Instituições de Saúde, Cumprimento da Lei de Cotas de PCD e Terceirização.

“Gestão de Recursos Humanos na Atual Conjuntura Econômica” é o tema da palestra magna, que será proferida pelo Dr. Almir Pazzianoto, ministro do TST. A grade de palestra contará também com outros especialistas de renome: Fabrizio Rosso, da Fator RH; Gonzalo Vecina Neto, da Escola Paulista de Saúde Pública; Pedro Paulo Teixeira Manus; Odair Rocha Fantoni, Coach Mentor Holomento Diretor; Monica Fresinger, psicóloga da Santa Casa de São Paulo; Leonardo Piovesan Mendonça, do Centro de Atenção à Saúde e Segurança do Colaborador do Hospital Alemão Oswaldo Cruz ; Norma Araujo, do Instituto de Ensino e Pesquisa Armênio Cresana e Josenir Teixeira, da Comissão de Direito do Terceiro Setor da OAB/SP.

Além da ampla programação, o 1º ConSINDHOSFIL também premiará as melhores monografias e promoverá o sorteio de um curso de MBA em Gestão de Serviços de Saúde entre os participantes.

Clique aqui e veja o convite do presidente do SINDHOSFIL.

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Informe-se pelos telefones (11) 3106.2000 e 3105.7637.


ARTIGO

O que você precisa saber sobre a Gestão da Qualidade na Saúde Pública

O compromisso com a prestação de contas dos serviços públicos é uma demanda recente, porém, cada vez mais debatida entre as lideranças da sociedade. Seja por amadurecimento dos líderes, pela intensa exposição dos processos da Saúde no noticiário ou, ainda, por ambas as razões. Assegurar a justa aplicação do dinheiro dos cidadãos na garantia da qualidade e da segurança do paciente tornou-se uma premissa, uma emergência inadiável.

Sabemos que os padrões e critérios da acreditação estão muito à frente dos esforços de qualidade e segurança empreendidos pelas instituições públicas – algumas demonstram grande potencial para a acreditação, mas poucas dão o exemplo. E há uma série de fatores que contribuem para essa inércia.

A maior dificuldade está em equilibrar os interesses e as agendas dos três níveis de poder: federal, estadual e municipal. Alguns estados estão usando o instrumento para mostrar a participação do nível estadual, enquanto as agências locais estão passando por dificuldades no entendimento do modelo e também de sua inserção no sistema. Em outras palavras, os serviços públicos concentram-se mais em abordagens para política e defesa e menos em ferramentas de segurança e melhoria.

A precariedade dos procedimentos e recursos na saúde brasileira é explicada, em parte, por deficiências de gestão que, por sinal, também se confirmam em algumas áreas no setor privado. Veja que a implementação da gestão da qualidade requer o comprometimento da alta administração com o propósito da assistência, atitude que parte do entendimento de que, sim, é possível fazer melhor.

Buscar a qualidade do cuidado, a segurança do paciente e o combate ao desperdício não é uma tarefa; é uma responsabilidade. Como compromisso compartilhado entre todos os profissionais envolvidos na assistência, requer transformações filosóficas e culturais, a princípio, porque o primeiro paradigma a ser rompido é o mental. Só assim as atualizações tecnológicas e as melhorias de governança podem ocupar os seus lugares no desenho de uma instituição madura em seus processos e relevante nos serviços prestados à população.

Há, dessa forma, um conjunto de fatores que estimulam a conquista da acreditação:

Todas essas demandas passam, necessariamente, pela mudança do sistema de governança e do processo de tomada de decisão e poder – já difícil no setor privado, mas muito mais complicada na esfera pública. As pessoas fazem o diferencial de qualquer organização à medida que participam e assumem seu papel na produção da qualidade. O desafio está na implementação de práticas que encorajam o trabalho em equipe, o olhar para o cliente, a prevenção (e não correção) de resultados insatisfatórios.

A implementação do sistema de qualidade e segurança está ao alcance de todos, mas não constitui tarefa simples. Ela incentiva as instituições a pensarem não somente em produção, mas em melhorias. Traz para o centro da discussão os resultados da assistência e de seus procedimentos de acessibilidade.

E a vontade política por trás de todo esse esforço? Bem, disso não precisamos nem falar.


Rubens Covello, médico, vice-presidente do CBEXs (Conselho Brasileiro de Executivos de Saúde), diretor Brasil Accreditation Canada International e CEO do IQG Health Services


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