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INFORM@TIVO

 

EDITORIAL

 

TISS FOI TEMA DE ENCONTRO EM SÃO PAULO

 

No último dia 1º de março, mais de 200 pessoas compareceram ao I Encontro para Esclarecimentos sobre a Implantação do Padrão TISS 3.0, promovido pela Federação Brasileira de Hospitais, com o apoio da Associação dos Hospitais do Estado de São Paulo.

Como dito na abertura pelo Dr. Luiz Aramicy Bezerra Pinto, presidente da FBH, a entidade nacional e suas federadas estão cumprindo o papel de orientar, defender e abraçar as causas que possam tornar a angústia dos hospitais menor. Para tanto, os hospitais têm que estar cientes de que as mudanças estão chegando e que não podem ficar à margem do processo.

Registramos aqui nossos agradecimentos aos representantes da Agência Nacional de Saúde Suplementar, que atenderam ao convite e abrilhantaram o evento, assim como aos palestrantes das demais entidades envolvidas no processo, a todos os hospitais que enviaram seus representantes para debate tão esclarecedor e ao Hospital Santa Catarina pela cessão do espaço.

Devido à relevância do tema, dedicamos integralmente esta edição do Informativo AHESP ao encontro, convidando-os a conferir os pontos principais abordados.

Boa leitura e até a próxima!

Dr. Volney Waldivil Maia
Presidente

PALESTRAS DA ANS

 

REPRESENTANTES DA ANS EXPLANARAM SOBRE A NOVA VERSÃO

 Diretor da DIDES – Diretoria de Desenvolvimento Setorial da ANS, o Dr. Bruno Sobral relatou aos participantes que, até pouco tempo atrás, quando se falava em problemas entre operadoras de saúde e prestadores de serviços, a posição era de que a Agência não regula os prestadores e, portanto, não era um problema regulatório. Isso mudou de três ou quatro anos para cá. “Mudamos essa postura, com o reconhecimento de que é o relacionamento entre operadoras e prestadores que garante o serviço ao beneficiário, ao consumidor que paga o plano de saúde, ou seja, se a ANS não regula os hospitais, os prestadores, ela certamente tem influência nesse processo de maneira indireta”, explicou, complementado que, a partir de então, as ações tomaram força dentro da Agência.

Segundo ele, a primeira delas foi a criação de um Grupo de Remuneração de Hospitais, que reconheceu e tem como princípio básico que a relação entre operadoras e prestadores não tem um vilão e um mocinho. “O vilão exclusivo é o modelo de relacionamento, que é ruim e levou os hospitais a receberem cada vez menos por diárias e taxas, que é seu fim e passaram a ter boa parte de sua receita atrelada a medicamentos”, afirmou.

O Dr. Bruno informou que, ao constatar a necessidade de construção de um novo modelo, o grupo partiu para a criação de algo mais saudável, de um modelo que premie qualidade e inclua o paciente. Por outro lado, disse que não é um modelo de fácil e simples implantação, pois implica em mudanças na cabeça das pessoas, hospitais e operadoras, na forma de fazer auditoria, exige investimento e processos de trabalhos novos, tecnologia da informação e, com isso tudo, existe uma inércia natural, muita incerteza e insegurança quanto ao que vai acontecer lá na frente.

Nesse sentido, junto com as entidades representativas, a ANS começou então a construir um modelo de referência. “A relação do hospital com a operadora não é tão simples que possa se traduzir em um único índice. É preciso que haja equilíbrio e, de preferência, qua a cláusula de reajuste entre as partes contribua para a mudança do modelo. Além de diretrizes para uma nova forma de pagamento, o modelo deve incluir indicadores de qualidade.

Falando em qualidade, o Dr. Bruno Sobral citou o programa QUALISS como um estímulo para que os prestadores com mais qualificação sejam melhor remunerados e acrescentou: “O QUALISS traz o consumidor também para o ´jogo´, uma vez que as operadoras têm que colocar em seus materiais informativos a qualificação de cada um dos seus prestadores”.

Finalizando sua apresentação, o diretor da DIDES reiterou que, somente mudando o modelo, o futuro será melhor e alertou que essa transformação tem que ser feita dentro do dia a dia de operadoras de planos e prestadores de serviços, pois a ANS não poderá fazê-la sozinha e fez um convite: “Invistam na TISS, lembrando que o mercado de saúde é cada vez mais de informação. Quem não investir em tecnologia da informação, ficará para trás, a reboque, pois é a TI que garante a informação. Quero ainda afirmar aos senhores que, hoje, a ANS reconhece seu papel e suas responsabilidades nessa relação”.

Os aspectos técnicos e a metodologia da nova versão do Padrão TISS 3.0 foram trazidos pela Sra. Celina Maria Ferro de Oliveira, Coordenadora de Estrutura de Dados e Terminologia da ANS.

Em sua apresentação, ela falou sobre o que a Resolução Normativa nº 305 traz de modificação e fez um histórico do trabalho na construção do Padrão TISS e do COPISS, o comitê de padronização, ressaltando que o desenvolvimento e aprimoramento devem ser contínuos.

De acordo com Celina, o padrão deixa de ser entre operadoras e prestadores e reconhece outros agentes de troca de informação, como a própria ANS e o beneficiário. “As finalidades da nova versão são padronizar as ações e subsidiar a Agência no acompanhamento das operadoras, setor que regulamos”, informou.

Exemplificando a abrangência do padrão TISS 3.0, a coordenadora afirmou que abrange, inclusive, a troca de dados gerados na modalidade reembolso, justificando que, como a ANS entrou como agente da troca de informação, receberá 100% delas, mas não o envio de dados com a finalidade de solicitação de reembolso.

De forma bem didática e esclarecedora detalhou toda a parte técnica do novo padrão, falando sobre todos os componentes: Organizacional (regras operacionais), Conteúdo e Estrutura (arquitetura dos dados), Reapresentação de Conceitos em Saúde (terminologias), Segurança e Privacidade (requisitos de proteção dos dados) e Comunicação (meios e métodos).

Ao final, além de responder aos questionamentos dos participantes, concendeu uma rápída entrevista para o Informativo AHESP.

Informativo AHESP – Como representante da ANS, como avalia a iniciativa da FBH de realização deste encontro?
Sra. Celina M. Ferro de Oliveira É fundamental para a divulgação e o trabalho dos prestadores na implantação. É imprescindível mostrar quais são as mudanças para que os prestadores, os diretores e as pessoas se sensibilizem do que é necessário, do que elas vão ter que cobrar de suas áreas técnicas, o que terão que pedir para suas empresas de tecnologia. Esse trabalho é fundamental e a Agência está incentivando, buscando e dando subsídios, inclusive com os indicadores do monitoramento, para que todas as entidades chamem os seus representados para divulgar a versão.

IA – Para os hospitais, os prestadores, quais serão as maiores dificuldades para essa implantação da versão 3.0, em sua opinião?
Celina Por parte dos prestadores, eu acho que é a questão das terminologias, porque são terminologias grandes, de diárias e taxas, de materiais, de medicamentos, que são muito impactantes, principalmente, na área hospitalar. Então, acredito que a maior dificuldade será a adequação das terminologias. Acho que a implantação técnica não apresentará grandes dificuldades.

IA – Quando vocês falaram em revisão da versão, o que exatamente está sendo feito?
Celina – A revisão, na verdade, são apenas correções de pequenos erros que foram identificados por quem já está implantando a versão. São acertos em pequenos erros da parte dos esquemas de comunicação, do XML.

IA – Efetivamente, após o prazo de 30 de novembro, o que acontecerá para quem não tiver feito a implantação?
Celina Quem não estiver trafegando na versão 3.0, no caso das operadoras, que são os entes regulados pela ANS, vai sofrer as sanções previstas na Resolução.

 

 

 

PALESTRAS DAS ENTIDADES

 

A EXIGÊNCIA DE NOVAS TECNOLOGIAS E A PREOCUPAÇÃO DOS HOSPITAIS

Ao abrir sua palestra, o Dr. Luiz Antonio De Biase, representante da ABRAMGE, informou que o intuito de sua apresentação era orientar para que a prática da TISS dê retorno para todo mundo para que, efetivamente, valha à pena.

A maioria das pessoas acha que a TISS melhorou algumas coisas e não ajudou em outras. Isto tem que mudar. Nada melhor do que este momento em que a TISS está mudando para também mudarmos. Essa mudança passa por perder um pouco o medo do novo, por adotar algumas práticas que não conhecemos e, por isso, não gostamos. Estou falando de interoperabilidade de verdade, um conceito tão necessário para os negócios, que a ANS até mudou o nome de sua gerência”, alertou.

Em sua visão, a TISS e a TUSS estabelecem ou pretendem estabelecer uma simetria entre os agentes de saúde, o que, segundo ele, é uma constatação. A TISS não é apenas um padrão de troca de informações, mas um conjunto de regras para interação entre prestadores e operadoras, no que diz respeito a eventos assistenciais e acrescentou: “Ela é todo universo das informações disponíveis na saúde suplementar. Por exemplo, sem as informações da TUSS, os demonstrativos de glosas, que são uma necessidade da relação entre as partes e um anseio antigo, não avançarão”.

De acordo com o Dr. Luiz Antonio, o desafio é grande, mas o caminho é rápido, ou seja, a TUSS tem que avançar, a troca de informações tem que ir além do faturamento e a tecnologia tem que ser melhor, mais produtiva e até mais barata do que é hoje.

De forma clara, o palestrante explicou que interoperabilidade é a interconexão de dois ou mais sistemas, de forma a prover o intercâmbio de dados e/ou computação distribuída, ou seja, é um diálogo por internet baseado em perguntas e respostas, leva poucos segundos e pode ser implementada em qualquer sistema. “A interoperabilidade se dá por meio de web service, um programa pedindo um serviço através da web para outro programa, sem intervenção humana.”

Após ilustrar com várias situações e exemplos de web service, o representante da ABRAMGE afirmou, de forma bem humorada, que grandes inovações sempre provocam três estágios de reação: o primeiro, de que é bobagem, não perca tempo; depois, que é viável, mas não sei se vale o esforço e, por fim, eu sempre disse que era uma boa ideia!

A versão 3.0 da TISS foi avaliada por ele como uma oportunidade de evolução. No entanto, informou que a maioria das pessoas está pensando que tem apenas que adaptar seu sistema à nova versão, mas que não é isso, pois os prestadores terão que reescrever a TISS em seus sistemas e finalizou: “Se nós fizermos da mesma forma como no passado, como fizemos nas versões anteriores, nada vai mudar, nada vai melhorar. Repito, a TISS mudou e nós temos que fazer diferente, mudar também, para que os resultados apareçam.”

Na sequência, o Dr. Murilo Alves Moreira, representante da ANAHP, trouxe para o debate as preocupações dos hospitais e iniciou destacando que o que foi dito significa, para os hospitais, mexer nos seus sistemas, em 100 mil termos, sem falar daquilo que têm certeza de que ainda falta ser codificado. “É um trabalho muito grande, que exige muita dedicação e já começo a ficar preocupado com o prazo. Vai dar tempo?”, indagou.

Uma das vantagens que pontuou é que se trata de uma tendência mundial e que o Brasil é signatário do processo. Para ele, a padronização de terminologias traz muitas vantagens, principalmente no aspecto epidemiológico e disse achar uma pena que não valerá para o SUS, apenas para a saúde suplementar.

Ainda entre as vantagens, o Dr. Murilo citou: a minimização da utilização do papel, reiterando que as operadoras continuam exigindo o envio, além da transmissão eletrônica; a cobrança mais fidedigna, uma vez que, estando no sistema do hospital e da operadora, deverá ser respeitada; o envio seguro, através dos web services, acabando com o extravio de documentos e garantido pelo protocolo.

Eu não vejo desvantagens no novo padrão TISS, mas tenho preocupações. A primeira delas, com relação ao investimento em informática para essas adequações. Outra é com as diferentes velocidades de implantação, que poderá onerar os hospitais que terão que enviar seus faturamentos da forma que a operadora estiver recebendo, ou seja, principalmente no início, teremos repercussões em nosso faturamento”, analisou.

Concluindo sua apresentação e a parte do evento reservada às entidades, o Dr. Murilo deixou o recado de que os hospitais devem fazer a sua parte. “A lição de casa é finalizar as análises, realizar os reparos nas tableas, especialmente nas diárias e taxas de procedimentos, adequar as definições e critérios à TUSS e negociar com as operadoras os prazos de implantação e eventuaus mudanças de preços”.

 

 

ENCERRAMENTO

 

FBH PEDE PARTICIPAÇÃO DE HOSPITAIS E AVALIA POSITIVAMENTE O EVENTO

Antes de encerrar o I Encontro para Esclarecimentos sobre a Implantação do Padrão TISS 3.0, a palavra foi dada ao Dr. Roberto de Oliveira Vellasco, do Rio de Janeiro e ao Dr. Walter Valle, de São Paulo, dois dos representantes da FBH junto à Agência Nacional de Saúde Suplementar.

O Dr. Vellasco disse que sente falta da participação e do apoio não só dos diretores de hospitais, mas de todos os componentes da medicina suplementar que, segundo ele, estão numa posição muito passiva e queixou que eles não respondem às comunicações.
Ele explicou que para defender os interesses dos hospitais junto à ANS, os representantes precisam de subsídios de como está a situação, do que pretendem, de críticas e de sugestões. “Eu sei que qualquer tipo de nova tecnologia cria certa resistência, mas, junto aos prestadores, ela está sendo muito grande. Para que possamos continuar desempenhando as tarefas junto à ANS, precisamos de dados concretos, de estatísticas e, portanto, peço que os hospitais respondam aos questionamentos.”

O Dr. Walter também foi bastante incisivo ao afirmar que os hospitais têm que começar a fazer sua parte, independente do outro estar ou não fazendo. “Se os nossos sistemas têm web service, temos que fazer a conversão das nossas tabelas, conjugá-las com a TUSS e uma forma de amenizar esse trabalho é a tabela compacta, um dos pilares do modelo de remuneração”, orientou.

Para ele, ao invés de cobrar 300 mil itens, os hospitais devem compactar suas tabelas, ver as definições e precificar suas diárias, não é hora de enxertar itens, aumentar preço, pois ninguém, neste momento, deve ser beneficiado ou prejudicado.

A mensagem que fica é: vamos fazer a nossa parte, independente da operadora, e vamos cobrar da ANS que elas tenham seu web service e que parem de enviar e exigir papel”, concluiu.

O encerramento foi feito pelo Dr. Eduardo de Oliveira, Secretário da FBH e Vice-Presidente da AHESP, que, além de agradecer a todos, comunicou que a Federação está definindo a data de mais quatro encontros, nos quais pretende realizar debates mais técnicos e operacionais e, portanto, gostaria do comparecimento não apenas dos diretores dos hospitais, mas também de seus chefes de faturamento e dos responsáveis pela informática.

 

AVALIAÇÃO

Do Secretário Geral da FBH e Vice-Presidente da AHESP

Informativo AHESP – Como o senhor avalia este primeiro encontro?
Dr. Eduardo de Oliveira O evento foi muito bom. Foi o primeiro e percebemos que a TISS é realmente uma coisa que veio para ficar, mas que ainda há muita dificuldade em nosso país. O que chama muito atenção é que o objetivo era sumir com o papel e nós não conseguimos isso. Mas acho que a legislação existe, a ANS está do nosso lado e creio que vamos progredir, vamos resolver esse problema de relacionamento hospital/operadora.

IA – O senhor informou sobre outros encontros que serão realizados, correto?

Dr. Eduardo Sim, serão mais quatro, um em cada região do pais: Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. As datas ainda estão sendo definidas, mas o próximo certamente será em 30 ou 60 dias. Para esses próximos eventos, nossa ideia é que sejam mais técnicos, uma discussão mais operacional e, por isso, será muito importante a presença dos responsáveis pela informática e pelo faturamento do hospital.

Do Presidente da FBH

Informativo AHESP – Qual sua impressão deste primeiro encontro e o que acha que a implantação trará de benefício para os hospitais?
Dr. Luiz Aramicy Bezerra Pinto Em primeiro lugar, eu tenho que louvar a atuação da AHESP e a participação grande e efetiva dos representantes hospitalares. A implantação do padrão TISS 3.0 vai realmente mudar o relacionamento entre as operadoras e os prestadores de serviços, porque dará uma agilidade maior, sendo totalmente eletrônica, quer dizer, vai haver uma confiabilidade maior para quem presta o serviço e para quem remunera por esse serviço. Esse tipo de relacionamento tem que avançar, porque hoje gera um grande prejuízo para quem presta o serviço e até mesmo para quem paga, mas, acima de tudo, temos que reconhecer que a ANS está no caminho certo, quando procura dirimir as questões antagônicas que existem entre operadoras e prestadores.
Acredito que as mudanças realmente encontram resistências, que já vivenciamos no passado, em algumas outras áreas, mas não podemos mais deixar de olhar para frente, porque precisamos procurar empreender. Se nós empreendermos juntos, venceremos. Se houver esse tipo de recusa, de operadora querendo se impor porque é maior que outra, de um hospital maior em detrimento de um menor, não chegaremos a lugar nenhum. Todos têm que se tratar igualitariamente em benefício do usuário que está comprando e pagando os planos.

IA – Qual a observação que gostaria de deixar para os gestores hospitalares?
Dr. Aramicy É absolutamente relevante que os gestores juntamente com suas equipes participem, que detectem os problemas. O país é muito grande e, portanto, existe uma diversificação de comportamento também grande. Os gestores, através de suas associações estaduais ou diretamente com a FBH, devem encaminhar os questionamentos, pois somente dotados dessas informações poderemos salvaguardar seus interesses. Acho muito importante que eles saiam desse período de acomodação para um período de participação, sob pena de, terminados esses prazos da ANS, virem a se sentir prejudicados.


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